segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O glamour do vidro na decoração

Experts escolhem peças favoritas com o material


Versatilidade é a sua força: o vidro pode estar na fachada de um prédio suntuoso, numa taça de vinho, numa luminária de formas ousadas ou até compondo um aparador inteiro. Mesmo fazendo parte do dia a dia, ele não perde a sofisticação e se encaixa em qualquer estilo de décor.

Casa Vogue pediu a profissionais experts em luxo que indicassem suas peças favoritas feitas desse material. Veja abaixo e garanta a leveza e transparência para o lar!
Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Raphael Briest)
André Carício, arquiteto
“A luminária Kaipo Too traz o espírito da marca holandesa Moooi, cujas criações surpreendem com combinações inusitadas. Na peça concebida pelo designer Edward van Vliet, por exemplo, as formas de uma lamparina antiga aparecem no vidro, material moderno e atual, e isso a torna fascinante. Gosto muito do trabalho de Edward, que desenha produtos para interiores inspirado na mistura de várias culturas, do Oriente Médio, da África e da Ásia.”
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Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Paulo Giandália)
Beto Galvez, decorador, e Nórea de Vitto, arquiteta
“Gostamos do vidro por sua leveza e transparência: essas características permitem que os objetos decorativos e utilitários feitos do material se combinem a diferentes peças e integrem estilos variados de decoração com harmonia. Entre os itens que admiramos estão as elegantes garrafas coloridas da designer americana Elizabeth Lyons para a Holly Hunt, que trazem uma leitura contemporânea do vidro no desenho de linhas clean.”
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Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Romulo Fialdini)
Denise Barreto, arquiteta
“Acho que o luxo, hoje, está ligado à arte, ao design e ao artesanal. Os objetos precisam emocionar. É exatamente o caso do pendente assinado por Alison Berger: são pequenas campânulas de cristal tcheco que recebem gravações de textos de Leonardo da Vinci sobre luz, atmosfera, estrelas e os ciclos da lua. Quando acesas, revelam um efeito mágico.”
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Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Marcus Steinmeyer)
Otto Felix, arquiteto
“Copos coloridos são interessantes pelo efeito que dão a uma mesa de refeições ou quando exibidos numa cristaleira da sala de jantar. As cores lisas junto à transparência do vidro alegram o décor de forma sofisticada, sem serem cansativas nem chamarem a atenção em demasia. Este conjunto da Missoni Home é versátil, pois, mesmo idealizado para vinho, pode ser usado no dia a dia.”
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Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Salvador Cordaro)
João Mansur, arquiteto
“Sou fã da designer de joias italiana Elsa Peretti. Em seus produtos, ela revela criatividade em formas inusitadas e sabe usar como ninguém as cores certas para cada objeto. Foi um grande boom quando ela estabeleceu sua parceria comTiffany e ainda hoje continua um sucesso. Suas peças viraram clássicas e atemporais. É ela que assina este elegante castiçal de vidro azul. Puro bom gosto!”
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Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Editora Globo)
Jorge Elias, arquiteto
“Gosto muito desta luminária que me leva às mais remotas lembranças dos meus tempos de faculdade de arquitetura, quando estudávamos as criações da escola Bauhaus. É uma peça absolutamente atemporal, em que é possível se observar a versatilidade do vidro, uma vez que ele compõe a cúpula leitosa e também a base transparente. Um material curinga, que se adapta a qualquer estilo de ambientação.”
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Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Editora Globo)
Andrea Teixeira e Fernanda Negrelli, arquitetas
“Vidro é um material incrível, pois pode dar forma às peças mais variadas, neutras ou coloridas, de características diversas. Por isso, se encaixa em qualquer ambientação, da mais sofisticada à mais divertida. Os pesos de papel da Armani Casa são bons exemplos: reúnem beleza e exclusividade, além de serem assinados por um dos maiores estilistas do mundo e produzidos artesanalmente, um a um. Não existem dois iguais.”
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Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Miro)
Ari Lyra, designer de interiores
“Sou um aficionado dos vidros. Na minha casa tenho muitas peças feitas do material: pratos, vasos, cinzeiros, luminárias e até móveis. De um mesmo objeto, tenho modelos de estilos variados, antigos e modernos. E não os deixo guardados – meus vidros são usados sempre, no cotidiano. Um dos utilitários que adoro é a chaleira de vidro transparente com infusor de aço inox, que comprei na loja Scandinavia Designs.”
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Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Romulo Fialdini)
Felipe Diniz, arquiteto
“O vidro, além de ser um material bonito, é prático. Graças à sua versatilidade, ele vai bem em diferentes situações, como é o caso do aparador Pi, da designer Jacqueline Terpins, que me agrada muito por sua leveza. Suas linhas simples e elegantes, aliadas à transparência das superfícies, fazem com que o móvel pareça flutuar, assim como os objetos colocados sobre ele.”
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Gente Expert vidro (Foto: divulgação)
Gente Expert Vidro (Foto: Marina Malheiros)
Esther Giobbi, decoradora
“Eu sou uma admiradora das peças de Murano, que são feitas comas técnicas artesanais do vidro soprado. Aqui, no Brasil, nós temos um verdadeiro representante dessa artesania veneziana, o Mario Seguso. Da sua fábrica, em Minas Gerais, saem copos, bowls e cinzeiros cheios de beleza e criatividade. Um exemplar que eu adoro é o vaso AD3, que combina linhas nos tons de vermelho e água-marinha sobre o fundo incolor.


Fonte

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Fúcsia é aposta para decoração da casa em 2015

Moderna e divertida, ela é a eleita para reverenciar os tons marcantes que transmitem alegria

 (Reprodução/Internet)


As evidências quanto à preferência pela tonalidade aparecem em todo o mundo, das peças de vestuário aos sapatos de grifes luxuosas, dos automóveis aos tecidos e plásticos, entre outros vários setores.


“Equilíbrio entre a espiritualidade do azul e a vibração guerreira e material do vermelho, a Fúcsia é uma cor divertida e moderna, com presença marcante na natureza. Seja em flores como a primavera, azaleia e o brinco de princesa, ou em fenômenos naturais, como a Aurora Boreal, ou nas frutas, como a framboesa”, assinala Elizabeth, presidente do Comitê Brasileiro de Cores (CBC).

A tonalidade tem como principais propriedades a alegria, a feminilidade, a sensualidade discreta. “E o respeito, já que está ligada à liturgia através das vestes dos bispos. Esta ligação proporciona segurança, como um farol de força e produtividade, nos aquecendo e nos tranquilizando com sua essência protetora”, completa a presidente do CBC.

Diversas cores podem ser harmonizadas com o Fúcsia, desde as concretistas racionais, como o grafite, aos tons apastelados e adocicados, como o sulferino, até as cores mais jovens e cheias de fantasia, como o turquesa. De acordo com Elizabeth Wey, qualquer uma dessas harmonias cria ambientes repletos de personalidade e charme.

 (Reprodução/Pinterest)

 (Reprodução/Pinterest)

 (Reprodução/Pinterest)

 (Reprodução/Pinterest)

 (Reprodução/Pinterest)

Fonte

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Banheiro como Spa particular é tendência na arquitetura

Arquiteta apresenta banheiro projetado para ser um espaço para relaxar

 (Sumara Bottazzar/Divulgação)

Independentemente do tamanho do banheiro, o importante é aproveitar da melhor forma possível o espaço disponível, ao mesmo tempo em que se cria uma atmosfera estimulante para os sentidos. É no que propõe o projeto da arquiteta e designer Sumara Bottazzar.

“É importante levar em consideração a cor adotada no ambiente. Procurei aplicar cores claras nos revestimentos”, explica a arquiteta que escolheu o branco como cor predominante e pontuou tons de verde nos objetos e acessórios. “A neutralidade dos tons é importante na medida em que não cansam o usuário, ao mesmo tempo em que não há cores e elementos que marquem época – a atemporalidade é também um dos principais objetivos na escolha dos revestimentos, louças e metais, sendo esta uma das principais características da arquiteta.”

Neste espaço também foram empregadas algumas soluções inteligentes, como o espelho da bancada. “Sobreposto ao grande painel de flores rosadas que traz feminilidade ao ambiente, utilizei um espelho que desliza ao longo de toda a extensão da bancada, podendo ser utilizado em qualquer ponto.”


 (Sumara Bottazzar/Divulgação)

Além do painel da bancada, foi utilizado um painel de vidro jateado que delimita a área do chuveiro e permite que a luz passe de maneira uniforme. Do outro lado do painel está a banheira, próxima ao degrau que eleva toda a área molhada em relação ao nível da porta de entrada.

Outro aspecto relevante é a iluminação. “Invista em uma iluminação que atenda às necessidades funcionais do banheiro e que também possa criar diferentes cenários. A luz intimista e pontual te ajudará a relaxar e recarregar as energias, enquanto a luz geral e difusa é importante para momentos em que é necessário visualizar detalhes e evitar sombras no rosto ao aplicar maquiagem, por exemplo.” As luzes da cromoterapia e os sais de banho e flores da aromaterapia também contribuem para a atmosfera de bem estar. Assim, foi concebido um espaço totalmente sensorial.

“Com a correria do cotidiano, é importante ter um momento e um local adequado para repor as energias. Portanto, transformar um espaço que era basicamente utilitário em um espaço que remete aos antigos rituais de banho agrega maior qualidade de vida”, finaliza Sumara.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Um novo jeito de fotografar

Drone que faz selfies e se conecta com celulares é sucesso no Kickstarter


Um projeto de que busca financiamento no Kickstarter está fazendo o maior sucesso. É o Zano, drone super pequeno que filma e faz fotos bem bacanas. A portabilidade, visual simpático, funções diversas e preço relativamente acessível (se comparado a maioria dos drones) parecem agradar. Há 37 dias do fim do financiamento o projeto já conseguiu quase três vezes a sua meta. 
Drone é capaz de voar sozinho e tirar selfies do usuário (foto: Reprodução/Kickstarter)Drone é capaz de voar sozinho e tirar selfies do usuário (foto: Reprodução/Kickstarter)
O drone mede 6,5×6,5 cm e pesa 55g, cabe em uma mão. Ele é equipado com uma câmera de 5 megapixels HD capaz de fazer fotos e vídeos que são transmitidos para o smartphone do usuário via Wi-Fi. No momento, a resolução máxima permitida é de 720p, devido à limitações na velocidade de transmissão, mas o equipamento suporta qualidades e até 1080p.
Zano está disponível em duas cores (Foto: (Reprodução/Kickstarter))O pequeno Zano está disponível em duas cores, preto e branco (Foto: Reprodução/Kickstarter)
Um dos problemas da maioria das aeronaves é a grande chance de as imagens saírem tremidas, mas o Zano sanou este problema integrando vários sensores de voo que cumprem diversas funções, como manter o drone estável no ar. Ele também conta com GPS integrado, infravermelho para detectar e desviar de objetos e sensores de pressão do ar para controlar a altitude.
Com o sucesso do projeto, os criadores já trabalham em novos recursos para o drone, como reconhecimento facial e a possibilidade de controlar vários dispositivos com o mesmo smartphone. Estas funções poderão ser compradas através de aplicativos.A bateria tem carga que dura entre 10 e 15 minutos de uso, sendo que a maior parte da energia é drenada pelos motores. O Zano é programado para localizar o usuário e voltar para ele em caso de emergências, como sinal ou bateria fracos.
O preço final do Zano é de £139 (aproximadamente R$ 560 em conversão direta). Para entregas no Brasil é preciso pagar mais £10 (R$ 40). A estimativa é que o produto seja entregue a partir de junho de 2015.
Confira vídeo do Zano em ação: 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Decorador dá dicas de como preparar a casa para o Natal

Saiba como usar enfeites, que antes eram apenas coadjuvantes das árvores de natal e das mesas, mas que agora estão nos holofote

 (Nardim Júnior/Divulgação)

Já dizia uma antiga frase que “o melhor da festa, é esperar por ela”. Apesar de ainda não ser dezembro, já é hora de começar a pensar na decoração de Natal, afinal adiantar as compras pode significar uma boa economia. Além é claro, que uma das melhores coisas a se fazer é curtir cada detalhe das comemorações de fim de ano, até que, tão rápido, passem as festividades e voltamos as nossas rotinas. Para começar a festa, o primeiro passo é prepara-la.


A primeira impressão de um convidado é a entrada da casa, e para deixa-la ainda mais linda, o ideal é investir em guirlandas. “A guirlanda mudou e se sofisticou com o passar dos anos”, diz o arquiteto e decorador Nardim Júnior. “Hoje, esses produtos se atualizaram e acompanharam a mudança da decoração e das portas, que atualmente são grandes e esguias”, completa. Opções não faltam para todos os bolsos e gostos, das mais tradicionais aquelas redondas com as cores tradicionais, que já são mais conhecidas, até aquelas que a própria pessoa pode personalizar e escolher cores, enfeites, e outros detalhes que vão compor a peça.

Outros itens que passaram por alterações foram os enfeites, que antes eram apenas coadjuvantes das árvores de natal e das mesas, mas agora estão nos holofotes: a moda agora é coloca-los nos tetos, deixando o material em evidência. Esses modelos esbanjam beleza em mobiles e bolas de teto gigante, caracterizando ainda mais a época do ano. “A decoração suspensa, além de belíssima, é uma grande pedida”, conta Nardim. Para completar, muitos arranjos e centro de mesa. Essas peças com certeza são a cereja do bolo em decoração natalinas, alegram a casa! Ficam bonitas em mesas de apoio, solitárias, ou até mesmo em mesas de jantar, para compor o visual da mesa posta. Arranjos e centro de mesa com certeza não podem faltar na estação do Papai Noel.


Por último, mas definitivamente o mais importante: as árvores de natal. Considerada por muitos o auge da decór do natal, a árvores simbolizam paz, alegria e esperança. Elas precisam representar perfeitamente a família da casa onde vão habitar, e por isso existem tantos modelos no mercado. Para o arquiteto Nardim Júnior, é preciso ser original. “O primeiro passo pra escolher a árvore de Natal é definir o estilo da decoração que a pessoa quer, mais clássica ou mais ousada. A partir daí pode começar a escolher os enfeites a partir do que já tem e complementar com as novidades. Uma que é muito interessante e estão muito em alta ~são as árvores rústicas, onde os enfeites são feitos de sisal, cipó, e também as árvores feitas totalmente desse material”, explica ele

 (Nardim Júnior/Divulgação)

E quem disse que a criançada não entra no mercado? Para os pequenos, árvores coloridas, com enfeites azuis, roxos, e cor-de-rosa. Uma opção bem original é a árvore da Disney, com os personagens preferidos dos pequenos: Mickey, Minnie, Pluto e Pato Donald. Já pensou no sorriso deles ao pegar o presente de baixo de uma árvore dessas?

Para quem quer ousar, a queridinha do arquiteto Nardim Júnior é uma boa aposta: árvore animal print. Um modelo inteiramente inspirado na estampa de onça, que usou o desenho da alta moda para o natal das casas brasileiras. Mas para quem curte um old style, as tradicionais árvores verdes, com detalhes em vermelho e dourado nunca saem do mercado. Uma opção perfeita para quem quer gosta de um clean chic.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Aprenda como setorizar ambientes com papel de parede


Além dos recursos já conhecidos para setorizar os espaços, o papel de parede surge como opção prática e muito charmosa. Esse elemento delimita os ambientes sem prejudicar a integração e ainda cria composições diferenciadas


 ( Objeto Design/Divulgação )

O papel de parede é uma solução prática e rápida para quem quer mudar o visual de um ambiente sem ter transtornos com obras. Este elemento tem um poder incrível de personalização. Além dessa função, o papel de parede pode ainda delimitar de forma muito sutil e charmosa os espaços.

“É muito comum encontrarmos em locais residenciais, corporativos ou comerciais ambientes integrados entre si, mas com funções bem diferentes. Para que não imprimam a sensação de que se misturam e, por consequência, de que são menores, é necessário setorizar esses espaços. Para organizá-los, o uso combinado de papeis de parede diferentes é um aliado”, conta a designer de interiores Fabiana Visacro.

No entanto, combinar papeis de parede diferentes com o intuito de delimitação implica algumas dificuldades. “Não é tão simples, mas com uma boa dose de técnica e bom senso consegue-se criar ambientes bem legais e diferenciados. A composição entre papeis diferentes deixa o local mais elaborado, rico em informações, além de provar que é possível ousar neste recurso, sem quebrar a harmonia do espaço”, destaca Fabiana.


Para não errar ao combinar diferentes papéis de parede, Michele Salvador, proprietária da loja Objeto Design — especializada em armários, papéis e complementos — dá boas dicas. “É importante observar as cores e os estilos. É possível combinar papéis florais, listrados e estampados, mas eles precisam ter uma referência em comum. Se definimos, por exemplo, que o ambiente terá uma pegada clássica, então, devemos ser fiéis a isso e escolher opções que combinem com essa proposta”, ensina a profissional.

Michele sugere ainda uma maneira de lançar mão deste recurso. “Em um quarto de adolescente é interessante diferenciar o espaço de descanso, onde ficam a cama e a televisão, do ambiente de estudos. Para isso, deve-se escolher papéis de parede diferentes para os dois espaços, desde que se harmonizem. O segredo é sempre combinar cores e estilos”.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Renzo Piano explica como projetar um museu


Renzo Piano explica como projetar um museu

O novo edifício Whitney Museum, visto a partir da West Side Highway, em julho. Imagem © Paul Clemence


No artigo a seguir, publicado originalmente na Metropolis Magazine como "Q&A: Renzo Piano", Paul Clemence fala com o mestre italiano em projetos de museus sobre o processo de projetos e filosofias que o levaram ao sucesso na área - desde o croqui,passando pelo comportamento civil, até os edifícios "voadores", Piano explica o que faz um ser museu perfeito.

Há uma razão pela qual Renzo Piano é conhecido como o mestre do projetos de museus. O arquiteto projetou 25 deles, 14 sozinho nos EUA. Poucos arquitetos entendem tão bem quanto Piano - juntamente com seu escritório, o Renzo Piano Building Workshop (RPBW)- o que os diretores, curadores e, até mesmo, o que o público quer de uma instituição cultural como um museu. Quando falei com Donna de Salvo, curadora-chefe do Whitney Museum of American Art, cujo novo centro de escavações é de autoria de RPBW, ela comentou como as contribuições dos curadores foram muitas vezes incorporadas ao projeto final do edifício. "Os nossos curadores e os arquitetos tiveram um diálogo permanente durante todo o projeto do edifício", diz de Salvo. "As necessidades físicas da arte eram uma prioridade para Renzo e sua equipe, até o detalhe mais aparentemente mínimo. A nossa voz curatorial foi fundamental para a discussão e deu-nos um edifício incrivelmente dinâmico, uma matriz exclusivamente receptiva para os espaços de arte. "

Mas o que muitas vezes não é mencionado é o quão bem os edifícios de Piano, particularmente seus museus, se comunicam com os seus respectivos entornos. Os edifícios não apresentam apenas bom desempenho, mas integram-se na vida da cidade, como se sempre estivessem ali. De Beaubourg ao Edíficio The New York Times, eles abraçam plenamente o espaço e a energia de seus contextos urbanos. Agora, com dois de seus projetos mais recentes e de muito alto perfis de museus perto da conclusão, a reforma e ampliação do Museu de Arte de Harvard (com abertura prevista para este Outono) e do Museu Whitney de Arte (que deverá estar em uso até a Primavera de 2015), eu tive a oportunidade de me encontrar com Renzo Piano em seu escritório em Meatpacking District para falar sobre o processo criativo, as críticas, a arquitetura contemporânea, e os edifícios "voadores".

© Paul Clemence


Paul Clemence: Olhando em volta em seu escritório há maquetes por toda parte! Desde miniaturas de prédios inteiros até detalhes estruturais ampliados. Considerando-se a integração de softwares para modelagem 3D na prática arquitetônica ao longo da última década, as maquetes ainda são essenciais para o processo de projeto preliminar?

Renzo Piano: Fazer uma dessas maquetes preliminares é o mesmo que desenhar. A maquete é a versão tridimensional de um esboço. Com o computador você tem a necessidade de dizer a ele exatamente o que fazer; por onde começar, onde parar. Quando eu estou fazendo o croqui eu não tenho que dizer onde começar, onde terminar. É instintivo. Desenhar, assim como produzir maquetes, tem a qualidade da imperfeição. Nenhuma das ações tem que ser precisas. Isso lhe dá liberdade. Dá a possibilidade de mudar. O computador é perfeito quando você não pode ser perfeito. Fazer maquetes e desenhos são ações muito importantes nesta parte inicial do processo, uma vez que o começo nunca é preciso, quando tem que ser preciso, você pode ficar preso no formato, na forma. E há de lembrar-se que a maquete é apenas um fragmento - o único lugar onde juntamos tudo é na mente, mesmo coisas como proporção e escala. Um dos maiores erros que um arquiteto pode cometer é obter a escala errada.

PC: Então há um caminho muito longo, de muitos anos, desde imaginar um projeto em sua cabeça até que isso se torne uma realidade construída. Quais são seus pensamentos sobre esse processo, sobre a ideia só concretizar no mundo real, e tantos anos depois?

RP: Isto é uma luta! A arquitetura depende de longos períodos de tempo, sempre, tanto para construção quanto para reconhecimento. A arquitetura não é algo que normalmente é reconhecida ou compreendida no primeiro dia. A arquitetura não é moda. Não tenho nada contra moda, mas eu quero dizer que a moda acontece mais de repente, mais rápida. A arquitetura leva mais tempo para ser entendida, como cidades, como rios, como florestas, é preciso tempo! Um edifício pode levar um longo tempo para ser compreendido e amado. Com Beaubourg [o nome coloquial para o Centro Pompidou, em Paris] foi assim, havia uma reação muito negativa quando foi inaugurado. Demorou 10 a 15 anos para que o Centro Pompidou fosse aceito pela cidade. Às vezes, demora menos. A desvantagem de um novo museu é apenas isso, que é "novo". Ainda não passaram pelo ritual da vida cotidiana na cidade. Leva tempo para que um edifício passe a ser amado e adotado pela cidade. Quer se trate de um teatro, universidade, museu, ou uma igreja, o edifício tem de se tornar parte da vida cotidiana da cidade para ser aceito.

A nova ala de Piano para os Museus de Artes de Harvard,com a rampa curva do Centro Carpenter de Le Corbusier ao fundo. Imagem © Paul Clemence


PC: Um novo edifício fundamentalmente traz mudança para uma cidade ou para uma parte de uma cidade, e isto nem sempre é fácil de aceitar ou mesmo de entender.

RP: Como arquiteto, se você tiver sorte o suficiente, for bom o suficiente para encontrar-se no lugar certo, na hora certa, você testemunha estar promovendo uma mudança e isso nunca é fácil, porque as pessoas não gostam de mudanças. O arquiteto está interpretando esta mudança. A arte de viver, ficar junto, está em mudança constante. Como arquiteto você não pode ser tão arrogante de acreditar que você causou essa mudança. Mas se você depositar tempo em observar a sociedade e a comunidade, então se tornará testemunha da mudança, um intérprete dela.

PC: Um de seus projetos mais recentes é a expansão dos Museus de Arte de Harvard, que estão localizados justamente ao lado do Centro Carpenter para as Artes Visuais (único edifício de Le Corbusier na América). Seu plano incluía alocar o Museu Fogg, o Museu Busch-Reisinger, e o Museu Arthur M. Sackler sob uma única estrutura. É uma abordagem interessante e um complexo que irá mudar a atmosfera do campus de Harvard. De forma mais ampla, como imagina que este projeto afetará a comunidade de Cambridge?

RP: Abrir a estrutura existente para a praça pública para a passagem de pessoas, criando um piso térreo totalmente público - esses foram os objetivos do projeto. Mudará a natureza dos relacionamentos entre Harvard e Cambridge. Filosofia e história fazem parte de onde você começa um projeto de e no projeto Harvard, você não pode esquecer a história da relação social entre Harvard e aquela comunidade. A conexão não foi boa por um bom tempo, e tivemos que encontrar uma maneira de ajudar nisso.

Croqui por Renzo Piano do esquema para os Museus de Arte de Harvard mostrando a adição em vidro cortado diretamente sobre o pátio Montepulciano. Imagem © Paul Clemence


PC: Qual foi a grande oportunidade aqui? O quanto o local e o tecido existente do edifício o influenciaram em sua solução?

RP: Fiquei surpreso ao encontrar um pedaço do Montepulciano ali dentro. [Piano refere-se ao pátio do Museu Fogg, que é modelado a partir da fachada de uma casa canon do século XV em Montepulciano, Itália]. Geralmente quando isso [a réplica, uma tipologia ou detalhe histórico mais antigo] é feito, pode ser um pouco kitsch, mas, neste caso, foi tão bem realizado, na escala correta. Pensei imediatamente que deveria tornar-se o centro do novo plano, o centro gravitacional do projeto. Nós queríamos que o museu, que é também um estúdio e centro de arte, fosse um edifício verdadeiramente público. Queríamos manter o piso térreo totalmente público e aberto, para que as pessoas que moram na região e as pessoas no campus pudessem entrar e atravessá-la sem qualquer intimidação. É um gesto de abertura, acessibilidade, de partilha.

PC: A mudança também é tema no projeto Whitney, que está se movendo ao centro.

P: Sim, [o projeto] está se movendo da periferia ao centro, de volta para onde a instituição teve origem [em Greenwich Village] e para um lugar mais similar em espírito aos primórdios da instituição.
A vista leste sobre as árvores do High Line Park desde um dos novos pavimentos da Galeria Whitney. Imagem © Paul Clemence



PC: Algumas pessoas disseram que a fachada norte não está tão empolgante quanto poderia ser, que não faz um gesto suficiente grande em direção à cidade. Como você responde a isso?

RP: Em primeiro lugar, temos de esperar para ver, o prédio ainda não está pronto, é claro. Um edifício como este é como um meteorito, de um modo suave. Ele não destrói nada, na verdade eleva. No entanto ele pousa, e isso é algo novo ali. As pessoas devem esperar até que o edifício esteja concluído para verem.

PC: Você sente que você aprendeu algo com a crítica?

RP: É uma coisa engraçada, como arquiteto você tem que manter o foco; mas você também tem que ter de ouvir. E diferenciar as boas vozes das ruins, o que é muito difícil, porque às vezes as vozes importantes são difíceis de ouvir. Como arquiteto você está sempre aprendendo -é um longo, longo aprendizado! É um longo caminho para um arquiteto. Você precisa ser bom em muitas coisas, na poesia, na construção civil, como uma pessoa cívica.

PC: No mesmo tema, a maioria de seus projetos -Beaubourg, o Centro Nasher de Esculturas, o Edifício The New York Times, os Museus de Arte de Harvard, e o [projeto] Whitney-, todos conectam-se à rede da cidade de uma forma muito especial.

RP: Mas isso é porque eu sou italiano. A cidade está sob a pele, como italiano você cresce com essa ideia de que as cidades são lugares onde os edifícios conversam entre si. Há um diálogo entre o edifício e a rua. É sobre a acessibilidade, é sobre a vida cívica. Uma pessoa urbana é uma pessoa que sabe como se comportar com civilidade, como compartilhar, como ser acessível. A construção deve ser assim. Ele deve conversar com a cidade, conversar com as pessoas. Prédios como este permitem que as pessoas compartilhem experiências juntos para desfrutarem e partilharem a vida. Falar em conjunto é uma forma de ser aceito e o início da tolerância, que é o segredo da vida cívica.

A entrada do novo Whitney, que faceia a West Side Highway. Imagem © Paul Clemence

PC: E como seus edifícios alcançam tal feito?

RP: Todos os edifícios que você mencionou "voam". Eles estão enraizados, mas levantam-se acima do solo e permitem que a luz venha por baixo e por dentro para que o ritual da vida da cidade se funda com o ritual da vida do edifício. Ao elevar o prédio, o térreo torna-se quase uma continuação da esfera pública. Você deixa espaço abaixo dele para a vida acontecer.

PC: O que o empolga atualmente sobre arquitetura?

RP: Nunca é a mesma. Cada dia é uma nova aventura. Cada novo projeto é uma nova aventura. Me sinto como Robinson Crusoe, pouso em uma ilha diferente todo o tempo, aprendo e descubro coisas novas. É eterno.


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